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Um jornalista no rastro da pobreza

18/10/2017 �s 15:44

O jornalista Pedro Rodrigues Neto embarca na próxima segunda-feira, 23, para o Nordeste. Serão 90 dias percorrendo as dez cidades mais pobres do país.
Por Lucas Carniel

Jornalista percorrerá cidades mais pobres do país
Brasil - Casas de pau a pique, estradas de terra, vegetação seca, rasteira e o calor agreste, impiedoso. O cenário remete a passagens do livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, um dos marcos da Literatura Pré-modernista, que retratou a imagem do sertanejo e a luta que travava diariamente para sobreviver numa região inóspita, esquecida pelo governo e extremamente pobre. Apesar de mais de 100 anos depois da publicação do romance, essa continua sendo a realidade de centenas de municípios nordestinos no século XXI, onde inúmeras famílias vivem com cerca de R$100 por mês, recursos provenientes do Bolsa Família. Essa também será a realidade do jornalista curitibano Pedro Rodrigues Neto (36) a partir da próxima segunda-feira, dia 23, quando ele embarca rumo ao Nordeste, onde permanecerá durante 90 dias percorrendo as cidades mais pobres do país. Ele é idealizador do projeto Além do meu Umbigo. Munido apenas de seu aparelho celular e contando com a experiência de quem já passou mais de 10 anos em redações de jornais, assessorias de imprensa e gestão de crise, o comunicador pretende vivenciar o dia a dia de quem sobrevive em situação de extrema pobreza. Pedro vai ver in loco o que Euclides da Cunha escreveu: o sertanejo é, antes de tudo, um forte.

“Esse projeto é um sonho antigo que tenho vontade de pôr em prática desde que me formei na faculdade de Jornalismo, há mais de dez anos. O objetivo é retratar como é a vida do brasileiro que está distante dos grandes centros. É uma realidade distante daquilo que a gente se acostumou a ver”, explicou Pedro.

O jornalista já atuou na região Sudoeste do Paraná, na década passada, quando foi repórter do Jornal Diário do Sudoeste, de Pato Branco, e assessor de imprensa da Amsop (Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná), em Francisco Beltrão. Ano passado, o profissional foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Araucária (na Região Metropolitana de Curitiba), quando precisou gerir uma crise sem precedentes para a história daquele município. O prefeito foi preso na operação “Fim de Feira”, do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, braço do Ministério Público. O prefeito preso, todos os recursos da Prefeitura bloqueados pela justiça e milhares de servidores esperando para receber o 13º salário. Toda a crise precisou ser gerenciada pelo jornalista, o que acabou o credenciando para trabalhar, neste ano, como assessor de imprensa do escritório Dalledone & Advogados Associados, uma das maiores bancas advocatícias do país. Como assessor de imprensa do escritório, Pedro cobriu o que é considerado o maior júri do Paraná, neste mês, no qual foram absolvidos 13 policiais militares acusados de execução de suspeitos de roubo. “Por isso, eu tenho pra mim que já atingi meus principais objetivos como profissional, pois consegui fazer tudo o que tinha planejado na carreira, agora, preciso dar um retorno para a sociedade. Vou fazer isso através do jornalismo, que tem uma finalidade social, narrando a vida e as coisas como elas funcionam. Esse ano foi decisivo para tomar algumas posturas e colocar essa vontade em prática”, enfatizou.

Lá, Pedro vai conversar com famílias que vivem na extrema pobreza, que trabalham, na maioria dos casos, apenas para se alimentar. São pessoas que dependem, quase que exclusivamente, do Programa Bolsa Família. Moram em casas com chão de terra batida, sem o mínimo de infraestrutura e saneamento básicos. Ele vai registrar tudo com seu aparelho celular. “Tô partindo de Curitiba com uma estrutura mínima para, assim, me colocar dentro da situação de como essas pessoas sobrevivem, para que eu possa compreender como é viver no sertão. Vou levar meu aparelho celular para produção audiovisual, seguindo a tendência do Novo Jornalismo, que faz a transmissão via dispositivo móvel, em primeira pessoa”. As imagens e entrevistas serão encaminhadas para uma equipe de jornalistas e publicitários parceiros do projeto, em Curitiba. O material será transformado em documentário, que será subido em plataformas de divulgação, como o You Tube e o Facebook.

O projeto conta com duas formas de financiamento. Uma, recursos pessoais do próprio jornalista; outra, via crowdfundig, uma espécie de “vaquinha” virtual. “Será uma viagem de 90 dias, não pretendo encerrá-la antes de janeiro. Resolvi abrir o crowdfundig pois vou trabalhar com essa questão do compartilhamento de ideias e informação, por isso abri esse financiamento coletivo para que eu tenha outra fonte. Isso vai me ajudar bastante, em especial nas capitais por onde vou passar, como Recife, Teresina e São Luís, onde os custos são mais elevados. Essas cidades estão no roteiro para que possa descansar e ter acesso à internet, já que na maioria das cidades por onde passarei o sinal ou é muito fraco ou inexistente”, resumiu.

A primeira parada do jornalista será Recife, em Pernambuco, no dia 23. Depois ele começa a aventura pelos municípios mais pobres do Brasil, começando por Manari, distante 330 km da capital. Ele deve passar ainda por Belaguá, Matões do Norte, Santo Amaro do Maranhão, no Maranhão e Guaribas, Milton Brandão e Novo Santo Antônio, no Piauí. As viagens de um município a outro serão em ônibus, caronas, barcos e o que mais ser possível. A lista completa de cidades e mais informações a respeito do projeto podem ser obtidas no site alemdomeuumbigo.com.br.
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