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Estudantes da EJA provam que idade não impede volta aos estudos
09/02/2012 às 07:23
(Da assessoria)
Francisco Beltrão - Na última segunda-feira (06), a EJA - Educação de Jovens e Adultos fase I – retomou às atividades. Mais que uma volta às aulas convencionais, para os estudantes da EJA é o reencontro com a prazerosa rotina da leitura e escrita. Muitos deles, quando iniciaram na modalidade de ensino, mal sabiam juntar as sílabas. Com o aprendizado veio a descoberta de um novo universo: o das letras.
Pedro Antonio Montanari (72), morador do bairro São Cristóvão, destaca a importância que a família teve na retomada à escola. “Antes eu lia pouco; me virava, mas tinha vontade de aprender mais, e, com isso, minha família me incentivou. Leio de tudo: jornal, revista... no entanto, o que mais gosto de ler e interpretar são os cálculos matemáticos”, diz Pedro, que frequenta as aulas no SESC, no período da tarde.
História parecida tem a aposentada Leni Faedo (65), moradora do Centro. “Quando aprendi a ler, percebi que minha vida se facilitou. Gosto de ler revista e jornal, mas a grande utilidade com a leitura veio através dos livros de receitas culinárias”, comenta. Recentemente, Leni passou por sérios problemas de saúde, mas assim que se reabilitou voltou à rotina das aulas. “A vontade de aprender era maior que a doença”, diz.
Segundo a coordenadora da EJA, Elci Salete Klosinski, não existe idade limite para voltar aos estudos. “A EJA é voltada para pessoas a partir de 15 anos, que não concluíram o ensino de 1ª a 4ª série. O que a gente percebe é que as pessoas de mais idade se sentem reticentes de voltarem à escola. Mas como já vimos, não existe idade limite para aprender”, explica. Mesmo discurso adotado pela professora Marleide Girardelli, há 17 anos na rede municipal de ensino. “Aqui cada aluno tem a sua capacidade e sua dificuldade. Por isso, procuramos fazer um trabalho individualizado”, diz.
As matrículas para a EJA estão abertas em todas as escolas que oferecem a modalidade. São elas: escolas municipais Madre Boaventura, Bom Pastor, Germano Meyer e Pedro Algeri; instituições estaduais, como o CEEBJA, colégios Leo Flach e Tancredo Neves e no Sesc. “As matrículas podem ser feitas com o professor da EJA da escola”, lembra Elci. Os alunos ganham da prefeitura caderno, lápis e borracha. Também recebem consultas oftalmológicas e, caso necessitem, recebem também óculos.
A EJA existe em Francisco Beltrão desde 2006. Neste período, cerca de 300 pessoas concluíram esta modalidade de ensino e partiram para a EJA fase II, de 5ª a 8ª série.