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Jornalismo: sem obrigatoriedade do diploma, universitários migram para outros cursos
28/01/2010 às 09:05
Direito, Psicologia, Letras... Sem obrigatoriedade do diploma de Jornalismo, universitários preferem escolher outros cursos na área de Humanas
Por Lucas Carniel

Fim do diploma desmotiva universitários
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pela não obrigatoriedade do diploma de Jornalismo acarretou numa série de transformações no conceito de muita gente que prestaria vestibular para o curso. Sem obrigatoriedade de diploma, acadêmicos que vislumbravam um futuro promissor na profissão, preferem formar-se em Letras, Direito, História ou Psicologia, entre outras áreas relacionadas à Humanas.
Prova disso é que o único curso de Jornalismo do Sudoeste vem enfrentando problemas, pois dos mais de 50 vestibulandos que se inscreveram no vestibular da Fadep para Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, apenas 10 matricularam-se para o ano letivo. A curva descendente na procura pelo curso não atingiu apenas a Faculdade de Pato Branco, que oferece a graduação desde 2001, já que, segundo informações do portal Comunique-se (www.comunique-se.com.br ) 50% das faculdades federais do país que oferecem Comunicação, 45% tiveram diminuição na procura. “O meu sonho sempre foi cursar Jornalismo, tenho verdadeira fascinação pela profissão. Comunicar, levar informação para diferentes tipos de pessoas... sempre sonhei com isso. Mas a queda do diploma me desmotivou”, disse a estudante Raquel Ries (18), que passou no vestibular da Unioeste para Administração. “Mas não descarto a possibilidade de um dia cursar Jornalismo”, enfatizou.
Desmotivação
O fim do diploma desmotivou também acadêmicos de Jornalismo. Segundo o acadêmico Evandro Carlos Artuzi (13 anos de experiência em rádiojornalismo) se a decisão do STF tivesse sido tomada meses antes do início das aulas, ele teria optado pelo curso de Direito. “Cursar jornalismo é importante para ampliação do conhecimento e técnicas jornalísticas, não que quem não tenha diploma ou não frequente a faculdade não possa desempenhar a função, mas o curso é importante, apesar de eu ter feito Direito se o STF tivesse tomado a decisão uns seis meses antes”.
Mídia manipuladora
A falta de universitários para Jornalismo não está apenas relacionada à decisão do STF. Na opinião do coordenador de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da Fadep, professor Cláudio Muller, grandes organizações midiáticas encamparam ações contra o diploma. “Quando o STF decidiu pela não obrigação, a rede Globo abriu os seus principais telejornais falando sobre a decisão e agora que a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) vai ser votada mais uma vez (já passou pela Câmara dos Deputados e Senado e agora está em processo de tramitação) a Globo não se posicionou. O William Bonner (formado em Publicidade e Propaganda pela USP e apresentador do telejornal Jornal Nacional) disse em entrevista que um historiador poderia desempenhar melhor a função de jornalista do que um jornalista formado. São alguns momentos em que a grande mídia mostrou que é contra o diploma”. O professor disse ainda que a sociedade foi prejudicada com a não obrigatoriedade. “Me parece que novamente o cidadão é que foi prejudicado com a medida do STF. Uma decisão arbitrária, que não condiz com a opinião da sociedade civil, que através de abaixo-assinados demonstrou que prefere a manutenção do diploma”.
Para o coordenador, ética e responsabilidade com a informação são dois quesitos importantes na formação de um bom jornalista e que são aprofundados dentro da faculdade. “Claro que ética e responsabilidade são virtudes aprendidas ao longo da vida, mas a faculdade é o lugar certo pra gente discutir isso, aqui elas são aprofundadas, isso é fato”.
Box – Diploma de jornalismo pode voltar a ser obrigatório
A proposta que restabelece a exigência de diploma universitário para o exercício do Jornalismo foi aprovada na Câmara dos Deputados em novembro de 2009
No Senado Federal, o autor da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 33/09, senador Antônio Carlos Valadares (PSB/SE), acredita na sua aprovação ainda este mês (novembro) na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC). Para o presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Sérgio Murillo de Andrade, a categoria encerrou um capítulo importante na luta pela constitucionalidade do diploma de jornalista. “Vencemos a primeira batalha de uma grande guerra e precisamos continuar mobilizados até a vitória final”, declara. Ainda segundo ele, ficou claro que a exigência do diploma de Jornalismo para o exercício profissional não atenta de forma alguma contra a liberdade de expressão, como afirmam alguns setores interessados na desqualificação dos profissionais da comunicação. A Fenaj agora vai pedir ao presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB/SP), que acelere o processo de votação no plenário.
Fonte: http://www.sjpmg.org.br