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Lagartas infestam praça principal de Francisco Beltrão
03/02/2010 às 16:59
Vigilância Sanitária informa que essa espécie não é venenosa. Mas, cá entre nós, precisaria ser para enojar?
Por Lucas Carniel

O ciclo das lagartas da palmeira termina assim que entrar o outono
Elas estão em todos os bancos, espalhadas pelo chão e assustando um sem número de pessoas - e não apenas mulheres.
Para os pássaros, lógico, é um banquete, eles nem precisam se esforçar muito para conseguir café da manhã, almoço e jantar com algumas rápidas bicadas. Os cidadãos que frequentam a praça Doutor Eduardo Virmond Suplicy não estão dando a mínima para a dieta à base de lagartas dos pássaros, querem mesmo é se ver livres delas. “Não aguento mais vir à praça e, do nada, ver uma ‘ruga’ no meu braço. É nojento”, disse uma frequentadora.
A limpeza realizada pela prefeitura no ano passado fez com que as pessoas frequentassem mais ainda o tradicional ponto de encontro. Mas as visitantes indesejadas, apesar de não possuírem nenhum veneno, atrapalham os passeios. “A gente pisa em cima delas e fica com aquela meleca nos pés. Além disso, sempre tem o perigo de uma criança entrar em contato”, assustou-se outra transeunte.
Ciclo no verão
Além de incomodarem, elas são enjoadas, gostam apenas do calor. Então, enquanto estivermos no verão, as lagartas (muito comuns em coqueiros, palmeiras e butiazeiros) estarão lá, curtindo um solzinho nos bancos da praça. A Vigilância Sanitária diz que elas não representam nenhum perigo às pessoas. “As lagartas perigosas são as do tipo lonomia obliqua, pois têm uma toxina que prejudica a saúde caso entrem em contato com a pele”, explica o médico veterinário da Vigilância, Fernando Freire Ciola.
A notícia boa é que com a entrada de estações mais frias o ciclo delas termina, a ruim é que ainda estamos em fevereiro; um mês antes do outono.
Ligar em caso de dúvida
A Brassolis sophorae - sim, esse é o nome da vilã; dependendo da espécie pode ser Brassolis astyra, mas pode chamar de lagarta da palmeira – está sendo responsável por várias ligações à Vigilância. E este é o conselho do órgão: ligar sempre que tiver alguma dúvida. “Na semana recebemos ligações de moradores acreditando que esta lagarta poderia ser a taturana (ou lonomia), mas estas têm espinhos espalhados por todo o seu corpo. São estes espinhos que liberam o veneno”, diz.
Não queime a 'ruga'
Outra recomendação da Vigilância é nunca queimar nenhuma espécie de lagarta. “Mesmo que a pessoa tenha certeza que aquela espécie não é a venenosa. E caso seja a taturana, o perigo é maior ainda, por que sua toxina pode ser liberada enquanto ela é queimada, provocando hemorragias internas”. Neste caso, o ideal é apelar para as receitas caseiras.
Segundo o veterinário, cinco folhas de boldo misturadas a dentes de alho num litro de água e espalhar a solução pelos troncos de árvores e gramas é tiro e queda. “O cheiro as afugenta”.
Uma sugestão é usar luvas e calçados fechados nos trabalhos de jardinagem.
Ocorrências
A Vigilância não possui os dados de quantas queimaduras de taturanas aconteceram em Francisco Beltrão. “Mas acreditamos que foram poucos”, diz o diretor da Vigilância, João Carlos dos Santos.
Em 2010, o órgão vinculado à Secretaria Municipal de Saúde pretende trabalhar intensamente no controle de zoonoses. “Principalmente na questão da criação de animais agrícolas (porco, vaca, galinha, cavalo, etc.) na cidade e muitos cães e gatos nas residências. Pretendemos também fazer um trabalho de divulgação dos perigos dos animais peçonhentos (lagartas, escorpiões, aranhas, entre outros)”.
O telefone da Vigilância é 3520-2131.